A publicação do estudo “Sentinel node mapping decreases the risk of failed detection of isolated positive para-aortic lymph node in endometrial cancer”, no International Journal of Gynecological Cancer, destaca a contribuição do A.C.Camargo Cancer Center para o aprimoramento das estratégias de estadiamento cirúrgico no câncer de endométrio.
O trabalho analisa como o mapeamento do linfonodo sentinela pode reduzir o risco de falhas na detecção de metástases linfáticas isoladas em linfonodos para-aórticos em pacientes com este tipo de câncer, um evento raro, porém, clinicamente relevante.
O câncer de endométrio é o tumor ginecológico mais comum em países desenvolvidos. Tradicionalmente, o tratamento cirúrgico inclui a retirada do útero associada à avaliação dos linfonodos, principais vias de disseminação da doença.
Como o mapeamento do linfonodo sentinela diminui o risco de falha na detecção de metástases
O estudo avaliou retrospectivamente 426 pacientes submetidas ao mapeamento do linfonodo sentinela (LSN) entre 2013 e 2021 e comparou os resultados com um grupo histórico de 209 pacientes que passaram por linfadenectomia sistemática pélvica e para-aórtica entre 2007 e 2015.
Segundo o Dr. Glauco Baiocchi, líder do Centro de Referência de Tumores Ginecológicos do A.C.Camargo e um dos autores do estudo, a pesquisa nasce de uma evolução natural da prática cirúrgica: “O principal local para onde uma célula maligna pode migrar a partir do útero são os linfonodos, principalmente da pelve. Por muitos anos, todos os pacientes eram submetidos à retirada completa desses linfonodos, mesmo sabendo que apenas uma parte teria comprometimento, o que gerava morbidade importante.”
A partir de 2013, o A.C.Camargo se tornou pioneiro no Brasil na adoção da técnica do linfonodo sentinela no câncer de endométrio. A técnica consiste na injeção de um marcador no colo do útero, permitindo identificar o primeiro linfonodo de drenagem tumoral, aquele com maior probabilidade de estar comprometido.
“O conceito é simples: se o linfonodo sentinela estiver negativo, os demais linfonodos daquela região também tendem a estar, evitando cirurgias extensas e reduzindo complicações”, afirma o médico.
Menor risco de metástase para-aórtica isolada
Um dos principais questionamentos da literatura científica era se a técnica do linfonodo sentinela poderia falhar na identificação de metástases localizadas apenas na cadeia para-aórtica, uma região profunda do espaço retroperitoneal.
Os resultados do estudo mostram que esse risco é significativamente menor quando o mapeamento do linfonodo sentinela é utilizado. No grupo submetido ao protocolo, a taxa de linfonodo para-aórtico positivo isolado foi de apenas 0,5%, enquanto no grupo que passou por linfadenectomia sistemática essa taxa foi de 3,3%, uma diferença estatisticamente significativa.
“O que observamos é que o linfonodo sentinela pode migrar para cadeias acima da pelve, inclusive para a região para-aórtica. Isso faz com que a chance de perder um linfonodo comprometido nessa região seja ainda menor”, explica o Dr. Glauco.
Benefícios para cirurgias minimamente invasivas e para a paciente
Além do impacto diagnóstico, o estudo também evidencia benefícios diretos para a prática cirúrgica. O grupo submetido ao mapeamento do linfonodo sentinela apresentou taxas significativamente maiores de cirurgias minimamente invasivas, com menor tempo cirúrgico e menor risco de complicações.
A linfadenectomia extensa está associada a efeitos adversos importantes, como sangramentos, lesões vasculares e nervosas e, especialmente, o linfedema, caracterizado por inchaço crônico dos membros inferiores. “Dentro dos benefícios do linfonodo sentinela estão cirurgias mais curtas, menos complicações e menos inchaço no pós-operatório. Antes, a cirurgia era muito extensa e muito mórbida”, destaca o especialista.
O estudo reforça o papel do A.C.Camargo Cancer Center como instituição que alia produção científica de alto impacto à prática clínica, contribuindo para a evolução dos protocolos cirúrgicos e para um cuidado oncológico cada vez mais preciso, seguro e centrado na paciente.
Leia o estudo e confira mais informações com o Dr. Glauco Baiocchi.