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Redação: Ensino, Pesquisa e Inovação
06/11/2026
5 min. de leitura
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Estudo do A.C.Camargo investiga continuidade do tratamento oncológico após internação na UTI

Estudo do A.C.Camargo investiga continuidade do tratamento oncológico após internação na UTI

Para pacientes com câncer que precisam de cuidados intensivos, a alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) representa uma etapa importante da recuperação. No entanto, superar esse período não significa, necessariamente, conseguir retomar o tratamento oncológico conforme o planejamento inicial.

Com o objetivo de compreender melhor esse cenário, pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Universidade de Toronto, no Canadá, realizaram uma revisão sistemática com metanálise que reuniu dados de 20 estudos, envolvendo 3.551 pacientes.


Os resultados da pesquisa, publicada na revista científica Supportive Care in Cancer, chamaram a atenção para uma questão importante no cuidado oncológico: além da recuperação da condição crítica que levou à internação, é necessário compreender as possibilidades de continuidade do tratamento e os fatores que podem interferir nessa trajetória.


Metanálise revela taxas de retomada do tratamento oncológico


A internação de pacientes com câncer na UTI pode ocorrer em diferentes momentos da jornada de tratamento, seja em decorrência de complicações da doença, de condições clínicas agudas ou de intercorrências relacionadas às terapias.


Nessas situações, a assistência intensiva tem como prioridade o tratamento da condição crítica e a estabilização. Entretanto, a recuperação após a internação também pode trazer novos desafios para a equipe responsável pelo acompanhamento oncológico, ponto que levou os pesquisadores a buscarem evidências disponíveis sobre a retomada do tratamento contra o câncer após uma internação não planejada na UTI.


A metanálise, método que combina estatisticamente os resultados de diferentes estudos, incluiu pacientes adultos com tumores sólidos e neoplasias hematológicas, permitindo avaliar tanto o retorno a qualquer tratamento oncológico, quanto a continuidade da terapia inicialmente prevista.


Segundo Dr. Antonio Paulo Nassar Junior, médico intensivista, pesquisador do A.C.Camargo e um dos autores do artigo, os resultados apontaram uma taxa geral de retomada de 61% nos primeiros seis meses após a alta. Já a proporção de pacientes que voltaram ao tratamento originalmente planejado foi de 48%, considerando os oito estudos que avaliaram especificamente esse desfecho.


Essa diferença mostra que, mesmo quando o tratamento oncológico é retomado, nem sempre é possível manter a estratégia terapêutica definida antes da internação.


Retomada do tratamento varia conforme o tipo de câncer


Além de identificar as taxas de retomada, a pesquisa também analisou os resultados conforme os tipos de câncer apresentados pelos pacientes. Na análise por tipo de neoplasia, a retomada de algum tratamento oncológico foi estimada em 60% entre pacientes com tumores sólidos e 77% entre aqueles com neoplasias hematológicas.


Embora esses resultados ajudem a compreender o cenário, os pesquisadores destacam que os estudos incluídos apresentaram diferenças importantes entre as populações avaliadas, os tipos de câncer e os momentos utilizados para verificar a continuidade do tratamento.


"Os estudos analisados incluíram amostras bastante heterogêneas de pacientes, o que impactou os resultados", explica Dr. Antonio Paulo. Essa heterogeneidade representa uma limitação importante da metanálise, pois dificulta a comparação direta entre os estudos e a identificação de padrões que possam ser aplicados a todos os pacientes.


Ainda assim, os achados reforçam a necessidade de considerar a internação na UTI como um momento relevante na trajetória do cuidado oncológico, que pode exigir uma nova avaliação das condições clínicas, da capacidade funcional e das possibilidades terapêuticas após a alta.


Quais fatores podem estar associados à suspensão do tratamento oncológico?


Entre os 20 estudos, apenas seis avaliaram fatores associados à retomada da terapia oncológica, evidenciando uma lacuna importante no conhecimento científico disponível.


Alguns desses trabalhos identificaram associações entre a menor probabilidade de retorno ao tratamento e aspectos como pior condição funcional do paciente, idade, progressão da doença e determinadas complicações clínicas.


Entretanto, os fatores analisados variaram entre os estudos, e os dados disponíveis ainda não permitem estabelecer com segurança quais condições são determinantes para a interrupção ou alteração das terapias.


Dr. Antonio Paulo Nassar Junior destaca que poucos estudos avaliaram os fatores de risco associados à suspensão do tratamento após a alta hospitalar, que demonstra a importância de ampliar as investigações sobre o tema, especialmente por meio de pesquisas que acompanhem os pacientes ao longo do tempo e utilizem critérios padronizados para avaliar a continuidade do cuidado.


A.C.Camargo planeja novo estudo em seis centros oncológicos


Diante dos resultados encontrados, o A.C.Camargo Cancer Center está desenvolvendo o planejamento de um novo estudo prospectivo, que deverá envolver seis centros oncológicos.


Diferentemente da metanálise, o novo projeto pretende acompanhar pacientes ao longo do tempo para investigar de maneira mais detalhada o que acontece com o tratamento oncológico após uma internação na UTI.


Ao aprofundar o conhecimento sobre esse período da jornada oncológica, a iniciativa poderá contribuir para decisões clínicas mais individualizadas e para o planejamento do acompanhamento após a alta da terapia intensiva.


Para assistir ao depoimento completo do Dr. Antonio Paulo Nassar Junior, acesse o nosso Instagram. 


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