A Dra. Rachel Riechelmann, Líder do Centro de Referência de Tumores Neuroendócrinos e Head da Oncologia Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, participou de um estudo conduzido por instituições do Brasil, Europa e Estados Unidos, que investigou a presença da mutação MUTYH em pacientes com PanNET. Essa alteração genética, pouco descrita até então, se mostrou associada a um curso clínico mais agressivo e ao surgimento de tumores de alto grau.
Os tumores neuroendócrinos de pâncreas (PanNETs) são considerados raros, mas podem apresentar comportamento bastante variável - desde formas de evolução lenta, até quadros de difícil manejo: “Quando essa mutação está presente tanto no tumor, quanto no sangue - ou seja, já nasceu com ela -, parece haver um maior risco do paciente desenvolver esse tipo de tumor, e, quando ele surge, está associado à evolução mais agressiva”, comenta a médica.
Foram analisados 23 pacientes com PanNET e variantes patogênicas germinativas ou somáticas em MUTYH, com idade média de 48 anos e predomínio do sexo masculino. Mais de 70% dos casos já apresentavam metástases no momento do diagnóstico.
Resultado traz comportamento agressivo, mas com boa resposta à imunoterapia
As mutações MUTYH p.Gly396Asp e p.Tyr179Cys foram as mais frequentes. Em metade dos pacientes com mutação germinativa, houve perda de heterozigose do alelo selvagem, frequentemente associada a evolução mais agressiva. A sobrevida global mediana foi de 4,6 anos nos pacientes metastáticos, com comportamento agressivo em 63% dos casos.
Apesar da agressividade, o estudo apontou uma possível oportunidade terapêutica: “Descobrimos que esses tumores tendem a ser mais metastáticos, mais tumores de alto grau, porém, também associados a determinadas características moleculares que favoreceram a resposta à imunoterapia. Dentro dos pacientes que receberam esse tratamento, alguns tiveram resultados muito bons, sendo que, em dois deles, a doença desapareceu completamente”, pontuou a Dra. Rachel.
Segundo a médica, aqueles que possuem a mutação MUTYH com tumor neuroendócrino de pâncreas devem ser monitorados mais de perto e estratégias como a imunoterapia devem ser consideradas, já que as respostas são relevantes em subgrupos específicos.
Este é um dos primeiros estudos a caracterizar sistematicamente o papel da mutação MUTYH em tumores neuroendócrinos de pâncreas. Os achados reforçam a importância da pesquisa em câncer e da integração entre biologia molecular e clínica para avançar no cuidado de pacientes oncológicos, especialmente em tumores raros.
Para ler o estudo, acesse o site da PubMed.
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